Campinas debate barreiras e caminhos para a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho

O Centro de Referência da Pessoa com Deficiência (CRPD), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social de Campinas, realizou na manhã desta terça-feira, 26 de maio, o evento “Mercado de Trabalho e o Universo da Pessoa com Deficiência”. Sediado no Auditório da Faculdade Mackenzie, o encontro reuniu representantes do poder público, organizações da sociedade civil e profissionais envolvidos com a temática da inclusão.

A realização do evento também foi motivada pela frequência com que as equipes do Centro de Referência identificam dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência no acesso a benefícios previdenciários. A recorrência de negativas da Previdência Social na concessão desses benefícios impacta diretamente as condições de vida dessas pessoas em diferentes contextos sociais e profissionais e revela a necessidade de ampliar o acesso à informação e fortalecer a oferta de orientações qualificadas sobre direitos.

Entre os modelos apresentados, foi detalhado um percurso estruturado de inclusão no mercado de trabalho: o Curso de Iniciação ao Trabalho (CIT), a Vivência Prática Profissional (VPP), a formalização do vínculo empregatício com registro em carteira de trabalho e, por fim, assessoria continuada tanto à pessoa com deficiência quanto às empresas empregadoras. O modelo busca apoiar não apenas o acesso ao emprego, mas também a permanência e o desenvolvimento profissional.

“Essa iniciativa integra as ações voltadas à qualificação do debate e à capacitação da rede de atendimento. A expectativa é contribuir para a construção de práticas mais acessíveis e humanizadas, além de ampliar a integração entre os serviços públicos, organizações e empresas que atuam junto às pessoas com deficiência em Campinas”, afirmou a secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro. 

Entidades marcaram presença no encontro

Entre as organizações da sociedade civil, apresentaram seus programas e experiências o Centro Síndrome de Down (CESD), a Guardinha, por meio do Polo de Empregabilidade Inclusiva (PEI), a APAE, associação de apoio a pessoas com deficiência intelectual, e a Fundação Síndrome de Down. O evento incluiu tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras), realizada pelas intérpretes Raelly e Heloísa, da empresa Gestalk.

O CESD é uma das entidades de referência no atendimento a pessoas com síndrome de Down em Campinas. Fundado em 2 de julho de 1981 por Benedito e Zulmira Vieira, pais de Maria José, uma pessoa com síndrome de Down, o centro nasceu da mobilização de amigos e voluntários, com encontros e atendimentos realizados na garagem da casa da família. Atualmente, o CESD atende 412 pessoas com deficiência e familiares por mês. Em 2025, registrou 19.420 atendimentos.

O encontro contou com a participação da vereadora Débora Palermo; da promotora Daniele Olivares, do Ministério Público do Trabalho (MPT); e de Camila Garrido, do Centro Público de Apoio ao Trabalhador (CPAT), vinculado à Secretaria de Trabalho e Renda. Também estiveram presentes Danielli Guimarães, diretora do Departamento de Política, Acessibilidade e Inclusão da Pessoa com Deficiência, Rodrigo Giunji, coordenador departamental de Acessibilidade para a Pessoa com Deficiência e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, e Benedito Antonio Pazinatti, conselheiro representante da sociedade civil no mesmo conselho.