Quando levar a criança ao médico? Pediatra do Mário Gatti elenca sinais de alerta em quadros respiratórios
Com a chegada do outono, historicamente, a quantidade de atendimentos de quadros respiratórios na rede de saúde aumenta. Quando o paciente é uma criança, é preciso que pais e demais responsáveis estejam atentos aos sinais para definir quais medidas adotar.
Afinal, quando é preciso levar a criança para atendimento médico e quando é possível apenas observar a evolução em casa? Quais sintomas são sinais de alerta? E como prevenir?
Essas e outras questões foram respondidas no novo episódio do podcast Pod Gatti, realizado pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP) da Rede Mário Gatti. (Acesse aqui: https://www.youtube.com/watch?v=gUWw8Y0l5VI)
A seguir, veja as orientações dadas pelo médico pediatra Alexandre Carvalho Nogueira, instrutor do NEP:
Quais são os sinais de que é necessário um atendimento imediato?
Segundo Alexandre, os quadros clínicos mais comuns em crianças são os respiratórios. Para definir como proceder em cada situação, ele cita a importância da observação.
“A primeira coisa é o olhar do pai e da mãe, que conhece o filho e sabe quando ele tá ruim. Porque resfriado a criança já teve várias vezes ao longo da vida. Mas tem um dia que é mais esquisito, que ela está mais cansada que o habitual, que está prostada, não passou a febre, a criança não se levanta, continua no sofá, está pálida. [Neste caso] tem que trazer”, exemplifica.
O profissional também cita sintomas objetivos que indicam necessidade de procurar uma unidade de saúde:
– Febre que persiste por mais de 48 a 72 horas;
– Lábios roxos;
– Respiração mais ofegante;
– Criança faz força para respirar, e a pele afunda na região da fúrcula ou das costelas.
Alerta para quadros repetitivos
Ele também alerta para quadros que se repetem com frequência.
“Criança não é pra ter pneumonia toda hora. Infecções de ouvido são coisas que podem acontecer de vez em quando, mas, se se repetem com muita frequência, é motivo de procurar ajuda no posto de saúde para ver se há algo a mais para ser feito”, explica.
Quando não é preciso levar para atendimento?
O pediatra também observa que há situações em que é possível acompanhar a evolução do quadro e adotar algumas medidas em casa.
“Meu filho teve febre de 38 graus, nariz escorrendo, um pouco de tosse, fica mais chato para comer, não quer mamar. Mas quando baixa a febre, fica esperto, vai brincar, não está com sinais de cansaço, não está afundando a pele durante a respiração. Eu preciso levá-lo nesse momento? Não. O que eu faria pra essa criança? Limpar o nariz com soro com frequência”, exemplifica.
No entanto, o médico pondera que, em um caso assim, se surgir sinal de cansaço ou se a febre persistir após dois dias, é preciso procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
“É sinal de que a criança tem alguma coisa grave? Não. Muitas vezes é só a evolução do resfriado mesmo. Mas a questão é só manter a vigilância”, acrescenta.
Como prevenir esses quadros respiratórios?
No caso da asma, Alexandre afirma que o tratamento já deve ser preventivo.
“A partir do momento em que eu identifico fatores de risco no paciente, no posto de saúde, ele recebe medicações, geralmente inalatórias, que ele tem de fazer uso diariamente para manter a via aérea sob controle e não desencadear crises. São medicações que estão amplamente disponíveis nos postos de saúde e são muito seguras”, orienta.
Ele observa que são medicações com poucos efeitos colaterais. “Como a dose vai diretamente para o pulmão, eu consigo fazer uma dose bem menor do que se eu fosse tomar por boca. A dose chega a ser mil vezes menor”, detalha.
Em relação à bronquiolite, ele cita a existência de uma vacina que é disponibilizada para gestantes.
“Então, é importante que as grávidas tomem essa vacina. A gente sabe que os anticorpos passam pela placenta da criança e, com isso, vai garantir que o bebê tenha proteção. Principalmente nos primeiros seis meses de vida, que é o período crítico”, informa.
Os bebês apenas tomam essa vacina quando é detectado que existe um risco maior, como, por exemplo, casos de cardiopatia congênita, parto prematuro, entre outros quadros.
Quais são as medidas preventivas caseiras?
Além de seguir as orientações médicas, o pediatra explica que as crianças podem ser orientadas a adotar outras medidas preventivas em sua rotina.
“Higienização das mãos, não compartilhar garrafinha na escola. Quando possível, se está resfriado, usar máscara para prevenir a propagação das gotículas. Hidratar-se bem sempre e manter uma alimentação balanceada, com frutas, verduras e proteínas. Daí a importância da alimentação nas escolas, porque as escolas têm assumido esse papel”, finaliza.