Semana de prevenção à gravidez na adolescência leva ação multisetorial aos centros de saúde nesta sexta-feira
A Secretaria de Saúde de Campinas promove nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, mobilização em alusão à Semana de Prevenção à Gravidez na Adolescência. A ação conta com acolhimento multisetorial, escuta qualificada, testes rápidos de infecções e doenças e oferta de métodos contraceptivos em todos os centros de saúde do município.
A iniciativa faz parte do programa municipal de planejamento reprodutivo, que tem contribuído significativamente para a redução da gravidez na adolescência em Campinas. Os dados mostram queda de 20,4% nas gestações entre meninas de 10 a 19 anos: de 985 casos em 2021 para 784 em 2025.
“Do ponto de vista clínico, as gestações na adolescência apresentam maior risco de complicações como prematuridade, pré-eclâmpsia e questões de saúde mental. Mas há também as consequências sociais de interrupção dos estudos, menor qualificação profissional e perpetuação da pobreza”, destaca Miriam Nobrega, coordenadora da área da Saúde da Mulher de Campinas.
A gestação em adolescentes traz riscos devido ao desenvolvimento corporal ainda incompleto. Entre as complicações maternas estão anemia, hipertensão gestacional com risco de convulsões, diabetes gestacional e trabalho de parto prematuro. Para o bebê, os riscos incluem baixo peso ao nascer, malformações, macrossomia (peso excessivo que dificulta o parto) e sofrimento fetal.
Recém-nascidos de mães adolescentes apresentam maior incidência de prematuridade e desnutrição, condições que podem acarretar comprometimentos neurológicos, visuais, auditivos e respiratórios. Em casos graves, complicações como hipóxia cerebral e bradicardia podem exigir internação prolongada em UTI Neonatal, com sequelas temporárias ou permanentes.
Implante subdérmico para mulheres em idade fértil
O Implanon, contraceptivo subdérmico de longa duração, foi implantado em Campinas no final de 2021, quando era destinado a um grupo específico de mulheres com contraindicação ao uso de estrógenos, adolescentes, vivendo com HIV/Aids e outras. Em dezembro de 2025, o município ampliou o público-alvo para todas as mulheres em idade fértil, e incluiu este método contraceptivo na cartela de opções ofertadas para o controle reprodutivo.
A procura tem aumentado gradativamente entre os anos de 2022 e 2025. Em média, 36% dos implantes realizados no período foram em adolescentes e jovens de 10 a 20 anos, o que representa mais de um terço de todas as mulheres atendidas pelo programa.
2022: do total de 34 implantes colocados, 14 foram em mulheres de 10 a 20 anos.
2023: do total de 438 implantes colocados, 145 foram em mulheres de 10 a 20 anos.
2024: do total de 1.299 implantes colocados, 454 foram em mulheres de 10 a 20 anos.
2025: do total de 2.449 implantes colocados, 833 foram em mulheres de 10 a 20 anos.
Assistência
Além do implante subdérmico, a rede de saúde disponibiliza para todas as mulheres em idade fértil o dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, DIU hormonal Mirena, camisinha interna e externa, anticoncepcional oral e anticoncepcional injetável mensal e trimestral.
Os centros de saúde contam com Grupo de Planejamento Familiar para orientação e apoio na escolha do método contraceptivo mais adequado para cada caso. Para ter acesso, as munícipes devem procurar o CS mais próximo. Os endereços e horários de funcionamento estão na página da Secretaria de Saúde, no link: https://portal.campinas.sp.gov.br/secretaria/saude/pagina/unidades-de-saude