A produção de alimentos e o caminho que eles percorrem do campo até a mesa da população foram o tema do quarto encontro da Capacitação em Segurança Alimentar e Nutricional, realizado na tarde desta quinta-feira, 8 de outubro, no plenarinho do Paço Municipal. A engenheira agrônoma Sandy Arguelho conduziu a palestra.
O Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, organiza a formação em parceria com a Escola de Governo e Desenvolvimento do Servidor (EGDS), órgão da Prefeitura de Campinas que cuida da formação dos servidores municipais. Segurança alimentar e nutricional é o direito de todas as pessoas ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente.
Sandy Arguelho é engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Santa Catarina. É mestre e doutoranda pela Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na área de gestão de sistemas na agricultura e desenvolvimento rural. Ela pesquisa a questão racial em territórios da agricultura familiar, atividade em que a própria família administra a propriedade e responde pela maior parte do trabalho.
Um dos pontos da apresentação foi o financiamento da produção de alimentos. A palestrante comparou os valores do Plano Safra 2026/2027, programa federal de crédito para a atividade rural: R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A apresentação também destacou a redução dos juros do Pronaf para o cultivo de alimentos básicos, como arroz, feijão, mandioca e hortaliças, com taxa de 2% ao ano, e para a produção orgânica e agroecológica, que dispensa agrotóxicos e fertilizantes químicos, com taxa de 1% ao ano.
O encontro tratou ainda de duas políticas federais. A Política Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana incentiva o cultivo de alimentos dentro das cidades e em seu entorno. A Política Nacional de Abastecimento Alimentar organiza as ações que levam a comida de quem produz a quem consome.
Em Campinas, foram apresentados os programas e os espaços públicos ligados à agricultura e ao abastecimento: o Campinas Solidária e Sustentável, programa de incentivo à agricultura urbana que apoia hortas comunitárias na cidade; as Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa Campinas), que concentram o comércio atacadista de frutas, verduras e legumes; as feiras livres e os mercados municipais.
“A segurança alimentar envolve muito mais do que garantir o acesso à comida. É preciso compreender como os alimentos são produzidos, distribuídos e chegam à população. Ao investir na formação dos nossos servidores, fortalecemos a capacidade do município de desenvolver políticas públicas que conectem a produção agrícola, o abastecimento e o direito à alimentação adequada”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
Cinco encontros
A capacitação começou em 17 de setembro e terá cinco encontros, sempre às quintas-feiras. O primeiro apresentou a política municipal de segurança alimentar e nutricional, a lei municipal de 2020 que trata do tema e as duas instâncias que acompanham essa política: o Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (Comsea), que reúne representantes do poder público e da sociedade civil, e a Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), que articula as secretarias municipais envolvidas no tema.
O segundo encontro, em 24 de setembro, discutiu a articulação intersetorial, nome dado ao trabalho conjunto de diferentes áreas do poder público, e sua importância para colocar em prática as políticas de segurança alimentar.
O terceiro, em 1º de outubro, apresentou os programas e serviços ligados ao acesso regular e permanente a alimentos e à água em Campinas: Alimentação Escolar, Renda Campinas, NutrirCampinas, Viva Leite, Bancos de Alimentos e Programa de Aquisição de Alimentos, pelo qual o poder público compra a produção da agricultura familiar e a destina a pessoas em situação de insegurança alimentar. Também foram apresentados os locais e programas que oferecem refeições na assistência social e na saúde.
O último encontro será na quinta-feira, 15 de outubro, com o tema Educação Alimentar e Nutricional, conjunto de ações que orientam a população a adotar hábitos alimentares saudáveis. A atividade lembrará o Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro.
