Condepacc aprova registro do legado de Carlos Gomes como Patrimônio Cultural Imaterial de Campinas

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O Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) aprovou, em reunião realizada nesta quinta-feira, 26 de setembro de 2026, o registro da obra, do legado musical, da memória e das práticas culturais de transmissão associadas a Antônio Carlos Gomes como Patrimônio Cultural Imaterial de Campinas.

A decisão é baseada em parecer técnico e estudo elaborados pela especialista cultural da Secretaria de Cultura e Turismo, Marcela Bonetti. O documento conclui que o legado do compositor atende aos critérios para registro no Livro das Formas de Expressão, que reúne manifestações artísticas e comunicativas relevantes para a cultura, a memória e a identidade dos grupos sociais.

O registro considera não apenas as obras de Carlos Gomes, mas também as práticas de execução, interpretação e ensino de sua música, a transmissão às novas gerações, as celebrações e os espaços e instituições relacionados à sua memória.

Para Marcela Bonetti, o processo de pesquisa revelou a dimensão do vínculo entre o compositor e a identidade cultural do município. “O que me alegrou muito nessa pesquisa foi entender que não só ele é parte da história da formação musical de Campinas no século XIX, mas o quanto é um patrimônio cultural vivo, pulsante, presente na história da cidade e na identidade cultural de Campinas. O município incorporou à sua própria identidade cultural. De fato, Campinas é a terra de Carlos Gomes. As ações de salvaguarda já ocorrem, por meio das diversas manifestações presentes no município. Agora será preciso sistematizar essas ações já existentes para o plano de salvaguarda”, afirma.

 

Legado em diversos espaços

Nascido em Campinas em 11 de julho de 1836, Carlos Gomes tornou-se um dos principais compositores brasileiros do século XIX e alcançou projeção internacional no campo da ópera. Sua trajetória musical começou na cidade, em contato com o pai, Manuel José Gomes, o “Maneco Músico”, e outros integrantes da família.

A relação do compositor com Campinas permanece presente em diferentes espaços e instituições. Entre eles estão o Museu Carlos Gomes, no Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA), o Conservatório Carlos Gomes, a Escola Estadual Carlos Gomes, o Centro de Convivência Cultural Carlos Gomes, a Praça Carlos Gomes, o Monumento-Túmulo, o Bairro Carlos Gomes e a Estação Carlos Gomes.

A memória do compositor também está presente na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, que mantém a Sala Carlos Gomes, e na Associação Brasileira “Carlos Gomes” de Artistas Líricos (ABAL), instituição que tem o compositor como patrono. A cidade também mantém a Banda Carlos Gomes. Em diferentes associações e instituições culturais, Carlos Gomes também é homenageado como patrono de cadeiras e iniciativas relacionadas à música e à cultura.

A relação com o compositor ultrapassa as fronteiras do município. Campinas é cidade-irmã de Lecco, na Itália, onde Carlos Gomes viveu durante parte de sua trajetória europeia.

A cidade também preserva a memória de personalidades que contribuíram para a interpretação e o estudo da obra do compositor, como a cantora Niza Tank, considerada uma das principais intérpretes de Carlos Gomes, e o pesquisador e escritor Jorge Alves de Lima, que dedicou parte de sua produção ao estudo da vida e da obra do compositor.

O conjunto de referências inclui ainda o Hino Oficial de Campinas, “Progresso – Coro Triunfal ao Povo Campineiro”, composto por Carlos Gomes, além de praças que fazem referência a suas óperas, como Salvador Rosa, Lo Schiavo, Fosca, Condor e A Noite do Castelo.

 

A Câmara de Vereadores mantém a Medalha Carlos Gomes, uma homenagem concedida a pessoas que se destacam por sua contribuição à cultura e à música. A honraria reforça a presença do nome do compositor na vida cultural e institucional da cidade.

 

Tradição

A transmissão do legado ocorre por meio de concertos, atividades educativas, pesquisas, exposições, ações de formação musical e programações culturais. O reconhecimento considera justamente a continuidade dessas práticas e a participação de músicos, professores, estudantes, pesquisadores, instituições culturais e educacionais e da comunidade na preservação e transmissão dessa memória.

Para a secretária de Cultura e Turismo, Alexandra Caprioli, o registro representa um passo importante para reconhecer institucionalmente uma memória que já está presente no cotidiano da cidade. “Carlos Gomes não é apenas uma personalidade importante da história de Campinas. Ele está presente na música, nos espaços públicos, nas instituições, na formação de artistas e na memória afetiva da população. O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial valoriza essa presença e cria condições para que esse legado continue sendo estudado, difundido e transmitido às novas gerações. É também uma forma de reconhecer o trabalho de tantas pessoas e instituições que, ao longo dos anos, mantiveram viva a relação de Campinas com Carlos Gomes”, afirma.

Com a aprovação do Condepacc, a obra e o legado de Carlos Gomes passam a integrar formalmente o conjunto de referências reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial de Campinas, no Livro das Formas de Expressão. O registro também estabelece uma base para a sistematização das ações de salvaguarda já realizadas na cidade, fortalecendo iniciativas de pesquisa, educação, difusão, formação musical e valorização da memória do compositor.

 

Em 2026, Campinas promove uma programação especial pelos 190 anos do nascimento e 130 anos da morte de Carlos Gomes, com concertos, concurso lírico, roteiros históricos, ações educativas e homenagens. A programação integra as iniciativas de valorização da memória do compositor e reforça a presença de sua obra na agenda cultural da cidade.

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