Atores com deficiência intelectual levam o “Auto da Compadecida” ao Castro Mendes no próximo dia 1°

O “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, volta aos palcos do Teatro Castro Mendes no próximo dia 1º de fevereiro, como parte da programação da Campanha de Popularização do Teatro.O clássico da dramaturgia brasileira será encenado por atores profissionais com deficiência intelectual que concluíram o curso profissionalizante na TADOMA Escola de Artes Cênicas.  

 

Os ingressos antecipados custam R$ 10,00, após R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia), e estão disponíveis no site https://site.bileto.sympla.com.br/teatrocastromendes/  

 

“Em 2025, conseguimos lotar o Teatro Municipal e nossa expectativa é que esse resultado se repita este ano, não por vaidade, mas para que mais pessoas possam conhecer o trabalho desses jovens atores que estão agora entrando no mercado de trabalho”, comenta Alexandre Souzah, diretor da peça.  

 

Ainda segundo ele, o objetivo é dar visibilidade a esses artistas, para que outros profissionais da área teatral possam conhecê-los. “Ainda existe preconceito em relação a artistas com deficiência, e ele só se quebra com conhecimento, com diálogo, com a disposição de se permitir conhecer. Esse espetáculo, que já tem um ano e meio de trajetória, tem provado isso, emocionando e provocando reflexões atitudinais em quem assiste”, disse o diretor.   

 

Ele confessa, ainda, que espera que um dia não seja mais necessário anunciar que o espetáculo tem atores com deficiência, porque a “deficiência” é apenas uma característica — ela não define a pessoa. “A longo prazo, essa presença constante no palco, que hoje ainda precisa ser destacada, tende a normalizar a presença de corpos diferentes no espaço cênico”, completa. 

 

A montagem profissional conta com interpretação em Libras, reforçando o compromisso com a acessibilidade e a inclusão cultural.   

 

Com a voz, os atores 

 

Carlos Mesquita representa, na peça, Chicó, um personagem divertido, cheio de histórias e imaginação, melhor amigo de João Grilo. Quando questionado que mensagem quer deixar, com sua atuação, para futuros atores, tem a resposta pronta: “vocês vão enfrentar bastante dificuldade durante o caminho, mas vocês devem pegar essas dificuldades e transformá-las em incentivo para não desistir”. E completa: “o teatro não é só chegar e decorar um texto, é preciso se aprofundar e para isso é preciso estudar, procurar uma escola e se dedicar”, afirmou. 

 

Sobre seu personagem, Mesquita conta que Chicó o ajudou a se soltar mais, a não ter medo do erro e a se jogar mais. 

 

Representando o Diabo, Vitor Gonçalves conta que fazer teatro é muito importante para ele, porque está realizando um sonho. “O teatro é tão legal para mim, porque me ajuda a ser um bom ator, além de me apresentar e viver histórias, personagens e também conhecer pessoas, fazer novos amigos e me sentir muito feliz”, contou. “Faz bem para o meu coração. Às vezes, eu até choro de emoção”, completou 

 

Profissionalização 

  

Souzah conta que o trabalho do grupo está sendo reconhecido inclusive fora de Campinas. “Ano passado, fomos procurados pela produtora FW Filmes e nossos atores foram selecionados para participar de um filme, que deve estrear no final do ano nos cinemas brasileiros. Isso é gratificante, porque mostra que, mesmo que aos poucos, a indústria da arte está mudando olhares”, contou.  

  

Elenco  

  

Com direção de Alexandre Souzah, a peça conta com Carlos Mesquita, Henrique Tacarambi, João Pedro Costa, Julia Barbosa, Leticiah Menezes, Lucas Nicodemos, Rafael Atkinson Carvalho, Rafael Rocha e Vitor Gonçalves.  

 

A produção tem Rodrigo Rocha e Ester Piza como assistentes de direção e Ana Luisa Zanardo, Daniel Biscola e Sandra Régis como contra-regras.   

 

A Tadoma  

 

A Tadoma é uma escola de artes cênicas de Campinas criada por Alexandre Souzah e Rodrigo Rocha, em 2020. Antes disso, em 2012, a dupla já havia criado a Tadoma Produções Artísticas, fundada em 2012.     

 

“O Auto da Compadecida”  

  

Nesta versão inusitada e cheia de humor, o público acompanha as aventuras de Chicó e João Grilo, dois personagens emblemáticos da obra de Suassuna, que tentam sobreviver às situações improváveis do sertão nordestino. Entre encontros com cangaceiros, conflitos com a comunidade e até desafios com a própria morte, a história é conduzida com criatividade, leveza e sensibilidade.  

  

Mais do que provocar risos, o espetáculo convida à reflexão sobre temas como amizade, fé, solidariedade e diversidade, valorizando o protagonismo de atores com deficiência intelectual no palco. O desfecho surpreendente reforça a mensagem de que a união e o respeito podem superar qualquer obstáculo.  

  

Serviço  

Espetáculo “O Auto da Compadecida”  

Domingo – 1° de fevereiro  

Teatro Castro Mendes – Rua Conselheiro Gomide, 62 – Vila Industrial  

R$ 20 (inteira)  

R$ 10 (meia)  

R$ 10 (antecipado)