Horta comunitária em Campinas vence concurso e atinge área quase dez vezes maior que a prevista

O projeto Cultivando no Florence, entre os bairros Jardim Florence e Jardim Satélite Íris, recebeu na manhã deste sábado, 21 de fevereiro, o troféu de primeiro lugar do Concurso Vizinho do Bem, promovido pela MRV. Outras iniciativas inscritas também receberam certificados. A cerimônia ocorreu na própria horta comunitária, na rua Osvaldo Peralva, 1054, no Jardim Florence 2.

A vencedora foi a Horta Flor de Girassol, organização responsável pela horta piloto. Eva Soares da Silva, liderança do grupo, disse que a premiação confirma que o aprendizado virou prática.
“Significa muito para a gente, principalmente pelo aprendizado que tivemos com o Pé de Feijão, que é parceria da prefeitura com a FEAC. Tudo o que nós aprendemos lá, nós aplicamos aqui”, disse.

Segundo Eva, o reconhecimento chega junto com a prova de que o projeto cresceu além do planejado. “No início, aqui era para ser 160 metros só. Ontem, a gente fez a metragem e tem mais de 1.500 metros plantados.” Ela também atribuiu a expansão ao envolvimento diário do coletivo. “A gente aprende. Caminhamos sozinhos agora”, declarou.

Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, afirmou que o resultado mostra maturidade e pertencimento. “O que mais me emociona é ver o aprendizado virar prática e multiplicar resultados. A comunidade não só aplicou o que aprendeu, como expandiu o projeto muito além do planejado, e isso é maturidade, compromisso e pertencimento”, disse.
De acordo com Patrícia Almeida, analista de campo da Herkenhoff e Prates (H&P), consultoria responsável por conduzir o programa Vizinho do Bem no território, a seleção do concurso considerou um formulário e uma etapa de autoavaliação.

“Para participar do concurso, todos os projetos tinham que preencher um formulário”, explicou. Ela detalhou que havia uma parte de apresentação da atuação e do público-alvo. Em seguida, havia uma seção que definia a classificação. “Havia uma seção de autoavaliação, que marcava a pontuação e definia essa classificação do concurso”, disse.

Segundo Patrícia, essa etapa mediu o alinhamento de cada iniciativa com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Essa seção avaliativa considerou o alinhamento de cada um dos projetos com os objetivos de desenvolvimento sustentável”, afirmou. Ela citou que o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) esteve entre os que mais pontuaram no instrumento de avaliação.

Além da Horta Flor de Girassol, receberam premiação a Casa de Maria de Nazaré (Unidade II, Casa Hosana), em segundo lugar. Em terceiro lugar, ficaram duas organizações da sociedade civil, a Associação Educacional e Cultural O Menor da Casa e a Horta do Itajaí, vinculada à Associação Cio da Terra.

Mentoria 

Além do troféu, os projetos mais bem colocados terão acesso a uma mentoria focada em gestão e amadurecimento organizacional.

“Nós vamos oferecer uma breve mentoria em de gestão de projetos, que tratar, dentre outros, de questões como cronograma, orçamento e planejamento estratégico”, disse Patrícia. Segundo ela, a formação começa com um encontro coletivo on-line, já na próxima semana. “A primeira sessão já está agendada para a próxima semana”, afirmou.

Nesse encontro, os participantes preencherão um formulário de maturidade organizacional. A partir do diagnóstico, cada projeto terá mais duas sessões individuais. “A gente vai oferecer mais duas sessões de uma hora e meia cada, individuais para cada projeto”, explicou.

Além das premiadas, também receberão certificados de reconhecimento pela atuação as demais entidades inscritas no concurso Projeto Revelação Novo Mundo, Associação Comunitária Sirius e Instituto Som e Arte.

No caso da Horta Flor de Girassol, a expectativa é que a mentoria ajude na formalização do grupo. Patrícia disse que a orientação pode apoiar esse processo de a horta se tornar associação, com estruturação de gestão e planejamento.

Para Eva, o prêmio reforça que a horta tem condições de avançar. “É muito gratificante porque a gente cumpriu, e a gente está cumprindo, o que a gente aprendeu. É sinal de que foi bom, de que a gente conseguiu e vai conseguir muito mais”, afirmou.

A Horta Piloto Cultivando no Florence foi implantada em uma área pública de 4.000 m², que estava abandonada. A horta integra o programa Campinas Solidária e Sustentável, em um território marcado por vulnerabilidade social. O projeto atua com cultivo diversificado e oferece oficinas sobre manejo, adubação e compostagem. Parte da produção é destinada ao consumo dos voluntários, e parte é vendida a preços acessíveis, com renda revertida para a manutenção do espaço.

Vandecleya Moro acrescentou que o objetivo é garantir continuidade. “A gente comemora o troféu, mas principalmente o caminho construído. Nosso papel é seguir apoiando para que a iniciativa cresça com organização, segurança e condições de continuidade”, disse.

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