Doação de perucas reacende autoestima de pacientes em tratamento contra o câncer no Mário Gatti

Depois de um período sem vontade de sair de casa por causa da perda de cabelos durante o tratamento contra o câncer, a agente de serviços escolares Márcia Regina da Silva, de 54 anos, deixou o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, em Campinas, nesta sexta-feira, 20 de março, disposta a convidar o marido para um passeio à noite. Isso porque ela foi uma das pacientes da unidade que receberam perucas durante mais uma edição do Projeto Cabelegria, realizado a partir da doação de cabelos pela população.
 

O projeto ocorre por meio de uma parceria entre a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e o Setor de Humanização da Rede Mário Gatti, em conjunto com a ONG Cabelegria. A entrega das perucas ocorreu no Banco de Perucas Móvel, uma van customizada estacionada em frente ao setor de oncologia. Ela é equipada internamente com um camarim, onde as mulheres podem escolher suas perucas em um ambiente acolhedor e especial.

Márcia foi diagnosticada com câncer de mama em 7 de julho de 2024 e iniciou o tratamento, mas ele foi alterado após o câncer também atingir o fígado.

“Eu fui obrigada a mudar de visual. É a segunda vez que o meu cabelo cai. É um choque muito grande pra gente que é mulher. A vaidade, o cabelo. Eu não consigo ir nem no mercado. Eu só venho aqui no médico porque eu sou obrigada, tenho que vir. Aí, eu vi o cartaz [sobre o Projeto Cabelegria] e hoje eu vim pôr uma peruca, melhorar a autoestima”, contou.

Antes mesmo de escolher sua peruca, Márcia já sabia como queria: cabelos enrolados e curtos. De visual novo, ela faz planos para quando terminar o tratamento: “Quero viajar. Quero voltar para Pernambuco, passear de novo, porque eu já fui uma vez, conheci, amei. Quero viver, né? Aproveitar a vida, cuidar mais da saúde”.

A primeira da fila

Antes mesmo que as atividades começassem, chegou ao local Odete Alany Abreu, de 61 anos. A ideia era ter mais opções de perucas para escolher — e deu certo.

“Me animou bastante. Pra mim, um motivo de alegria. Fui a primeira. Eu falei pra ela [sua filha], quanto mais cedo, mais tem”, afirmou.

Ela iniciou o tratamento de um câncer de pulmão há um ano e, atualmente, está realizando quimioterapia.

“A primeira vez que eu fiz a quimio foi muito difícil. Na segunda, já melhorou. Então, quer dizer que já estou tendo mais chance de ser curada, né? Estou sentindo muito apoio de todos os lados, da família, dos amigos. Aqui no Mário Gatti tive uns médicos excelentes, as enfermeiras também. Isso aí ajuda muito. Você chega, você é bem recebido. Já vai levantando seu astral”, destacou.

No total, 19 pacientes receberam perucas nesta sexta-feira. A coordenadora do Setor de Humanização da Rede Mário Gatti, Lucimeire Graziela Martini, afirmou que o objetivo da iniciativa é oferecer acolhimento às pacientes durante os desafios que enfrentam.

“É um momento em que podemos proporcionar a essas pacientes uma experiência transformadora, capaz de fortalecer sua autoestima, renovar a esperança e contribuir para o enfrentamento da doença. A nossa expectativa é oferecer esse cuidado de forma acolhedora, para que elas se sintam renovadas, encontrem novos caminhos e sigam firmes, sem desistir, diante de cada etapa do tratamento”, afirmou Lucimeire.

 

Exit mobile version