Curso de agricultura urbana certifica 40 participantes e fortalece hortas comunitárias em Campinas

A Horta Comunitária do Jardim Florence, em Campinas, foi palco da formatura do Curso de Agricultura Urbana e Periurbana, que certificou 40 agricultores após dez encontros com atividades práticas e teóricas. A formação teve como foco a organização comunitária, as práticas agroecológicas e a preparação de multiplicadores para ampliar a agricultura urbana no município.
 
 
A iniciativa é vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, por meio do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional, dentro do Programa Campinas Solidária e Sustentável. O curso foi realizado em parceria com a Fundação FEAC, com consultoria técnica do Pé de Feijão, entidade cujo objetivo é transformar a relação das pessoas com a comida.
 
 
Entre os objetivos da formação estiveram o reconhecimento da trajetória dos participantes, a socialização dos resultados do trabalho coletivo, a apresentação de uma cartilha técnica produzida ao longo do processo e o fortalecimento do compromisso com a continuidade das ações de agricultura urbana em Campinas.
 
 
“A agricultura urbana tem mostrado que cuidar da terra também é cuidar das pessoas. Quando formamos multiplicadores, ampliamos a capacidade das comunidades de produzir alimento saudável, fortalecer vínculos e transformar espaços coletivos”, afirmou a secretária municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro.
 
 
Formação
 
 
A formação reuniu agricultores e agricultoras de 13 hortas e instituições, com apoio logístico da Ceasa Campinas e oficinas realizadas em diferentes espaços, como a Cozinha Solidária do São Marcos, a OSC Mãe Maria Rosa e a Fazendinha Feliz da CATI. No Jardim Florence, a organização comunitária também avança com a finalização da Associação Flor de Girassol, considerada um passo importante para fortalecer a autonomia do grupo.
 
 
Durante a cerimônia, participantes, equipe técnica, representantes da Fundação FEAC e da Prefeitura ressaltaram o caráter coletivo da experiência e o papel das hortas como espaços de produção de alimentos, troca de saberes e fortalecimento comunitário.
 
 
Representando a Fundação FEAC, Rafael Moya, gerente de Desenvolvimento Territorial, destacou a conexão entre transformação urbana, educação alimentar e fortalecimento de vínculos comunitários. Para ele, iniciativas desse tipo ajudam a aproximar a população do processo de produção dos alimentos e a dar novo sentido aos espaços urbanos. “Iniciativas como esta mostram que é possível atingir esses objetivos, além de dar a destinação adequada e ambientalmente saudável para cada espaço físico da nossa cidade”, disse. 
 
 
Representando os participantes, Patrícia Moraes Padim, do Centro de Saúde Pedro de Aquino, destacou os efeitos concretos da formação no território. “Cada encontro trouxe aprendizados valiosos sobre o cultivo da horta, conhecimentos que irão fortalecer o nosso projeto realizado mensalmente e aberto à comunidade”, disse. Ela também relatou o impacto pessoal da experiência: “Eu não tinha realmente conhecimento nenhum e aí aprendi muito”.
 
 
A educadora Thaisa Cristina, do Pé de Feijão, resumiu a proposta da formação ao enfatizar a circulação de saberes como eixo do trabalho. “A gente divide para multiplicar”, afirmou. Segundo ela, esse movimento é essencial para ampliar a prática da agricultura urbana nos territórios. “Fico muito feliz que haja tantas pessoas multiplicando não só os saberes, mas a prática da agricultura urbana, que é tão importante no meio que a gente vive, na cidade”, declarou. Em outro momento, reforçou: “É na cooperação que a gente se fortalece”.
 
 
A diretora do programa, Mariana Maia, definiu a cerimônia como um momento de celebração da parceria institucional e do percurso construído pelos agricultores da Horta do Florence. “Esse momento é o momento mesmo de celebrar o certificado, o período de formação que vocês tiveram por aqui, celebrar uma parceria que deu muito certo com a Fundação FEAC e o Pé de Feijão”, afirmou. Ela também destacou o potencial de continuidade da experiência nos diferentes espaços de atuação dos participantes. “O potencial que cada um de vocês leva é único”, disse.
 
 
Mariana acrescentou que os participantes receberam uma cartilha elaborada ao longo do processo formativo, reunindo conteúdos técnicos e conhecimentos populares desenvolvidos durante as oficinas. “Essa cartilha foi realizada durante o processo de formação. Foi construída em conjunto”, explicou. Segundo ela, o material expressa uma tecnologia social baseada no compartilhamento de experiências. “Ela é uma cartilha técnica, mas também uma cartilha popular.”
 
 
Construção coletiva
 
Fausto Lacerda, representando a secretária Vandecleya Moro na solenidade, afirmou que o projeto só se tornou possível porque os próprios agricultores acreditaram na proposta desde o início e mantiveram o cuidado com a área. “Hoje nós estamos aqui não apenas para entregar para vocês um certificado, mas para agradecer a cada um de vocês por ter acreditado”, disse. Em seguida, reforçou o protagonismo dos participantes: “Esse amor, esse vínculo que vocês têm com a comunidade do bairro é o que faz a diferença”.
 
 
Os resultados alcançados pela experiência no Jardim Florence ajudam a dimensionar a abrangência do trabalho: foram 24.720 mudas plantadas, 17.491 mudas produzidas na estufa, 3.525 quilos de resíduos compostados, 2.644 quilos de alimentos colhidos, 186 litros de biofertilizante produzidos, 12 visitas educativas realizadas e 1.131 pessoas mobilizadas. A proposta é consolidar a Horta Comunitária do Florence como horta-escola e ampliar o fortalecimento da agricultura agroecológica em Campinas.
 
 
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