Campineiros revelam como a ascendência cultural transforma a torcida na Copa de 2026
A Copa é um período que costuma unir os brasileiros em torno da torcida pela seleção canarinho. No entanto, o país também abriga milhares de descendentes de outras nacionalidades e, em Campinas, muitos torcedores se dividem na hora de torcer: terra natal, ascendência, casamentos e filiação são fatores que pesam bastante quando a bola começa a rolar.
A gerente de produção de alimentos Patrícia Santos se divide entre três times durante a competição: França, Portugal e Brasil. Ela conta que não consegue direcionar sua torcida para apenas uma seleção, brincando que, por ser libriana, tem dificuldade em escolher e acaba se identificando com todas.
“Torço muito pela França porque foi onde eu nasci; por Portugal devido à minha origem e pelo Brasil, que foi o país que acolheu minha família há 50 anos. Para mim, o Brasil é o melhor país do mundo para se viver em várias áreas, seja pelas pessoas, pelo clima ou pelos locais turísticos”, afirma Patrícia.
Colônia japonesa em Campinas
Os descendentes de japoneses também marcam presença historicamente em Campinas. Muito unida, a comunidade é conhecida por realizar festivais e festas ao longo de todo o ano, e no Mundial não poderia ser diferente. O funcionário público Vinicius Yudji é nipo-brasileiro e também se divide entre as duas nações na hora de torcer.
Na estreia do Japão contra a Holanda, ele se reuniu com amigos nipônicos para apoiar a seleção da “Terra do Sol Nascente”. “Como tenho ascendência japonesa, torço tanto para o Brasil quanto para o Japão. Fico dividido, mas a minha torcida principal é pelo Brasil”, destaca Vinicius.
Que vença o melhor
O Uruguai é mais um país que conta com torcida em Campinas, representada especialmente pelo comerciante Alejandro Muniz. Uruguaio de nascimento, ele constituiu família no Brasil e afirma que a Copa é um momento especial para todos, inclusive para o seu estabelecimento comercial. Sabendo de sua nacionalidade, os clientes optam por assistir aos jogos do Uruguai no restaurante dele.
Muniz confessa que não acompanha tanto o futebol em si, mas ama torcer e valoriza o sentimento de pertencimento que a torcida proporciona. Ele ressalta que também torce muito pelo Brasil, país que o recebeu, acolheu e onde alcançou muitas conquistas.
“Esse sentimento de pertencimento, essa catarse que a gente vive naquele momento é incrível. Eu gosto de torcer, gosto das torcidas e dos torcedores. No Mundial isso é potencializado, mesmo que tenhamos críticas aos países. Não tem jeito: mexe com a gente e emociona”, diz o uruguaio.
Arena do Torcedor
Para quem deseja acompanhar os jogos do Brasil, um dos principais espaços de convivência durante o Mundial é a Arena do Torcedor, montada na Praça Arautos da Paz, em Campinas. O espaço foi inaugurado no último sábado, 13 de junho, durante a estreia da seleção brasileira contra o Marrocos, e seguirá transmitindo as partidas do Brasil ao longo da competição.