Campinas amplia acesso da população surda a serviços públicos com Libras presencial e digital
A Central de Interpretação de Libras (CIL), da Prefeitura de Campinas, oferece atendimento em Língua Brasileira de Sinais para garantir que pessoas surdas tenham acesso a serviços públicos do município. O serviço conta com intérpretes presenciais, externos e remotos, que acompanham os cidadãos em atendimentos como saúde, assistência social, Justiça e INSS.
Leandro Almeida Leite, 46 anos, é usuário frequente da CIL. Surdo, ele se comunica em Libras e conta com o apoio das intérpretes para resolver questões do cotidiano, como atendimentos no INSS, consultas de saúde e orientações administrativas. “Eu consegui o benefício porque o intérprete estava comigo. Sozinho, talvez tivesse perdido o direito”, resume.
Campinas tem 13.561 pessoas surdas, segundo o Censo de 2022. Para atender essa população, o município criou a CIL em 2015, oferecendo atendimento presencial, remoto e externo. Intérpretes acompanham munícipes em unidades de saúde, audiências judiciais, perícias do INSS, CPAT e outros serviços.
“Quando a comunidade surda acessa seus direitos sem intermediários informais, rompemos uma barreira invisível. O atendimento em Libras é, antes de tudo, um gesto de respeito”, afirma a secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro.
Entre julho e setembro de 2024, a equipe da CIL dobrou, passando de três para seis intérpretes. A ampliação refletiu uma compreensão central da política pública: acessibilidade não se resolve apenas com placas ou protocolos, mas com pessoas capacitadas no momento certo. “Não basta ter o serviço, é preciso garantir que ele funcione onde e quando o cidadão precisa”, destaca Vandecleya.
Além da CIL, Campinas implantou o Acessa Libras, central digital de intérpretes 24 horas, acessível por aplicativo, site e QR Code nos serviços municipais. Lançado em fevereiro de 2024, o sistema permite atendimento remoto em Libras, com internet patrocinada, sem custo para o usuário.
“A acessibilidade precisa atravessar todas as políticas públicas”, afirma Vandecleya. “O Acessa Libras mostra como a inclusão começa na escuta real das necessidades da população.”