Mais de 300 pessoas participaram, nesta quinta-feira (5), de uma edição do projeto Diálogos da Primeira Infância, que promoveu reflexões sobre a construção de uma educação antirracista desde os primeiros anos de vida. O encontro reuniu profissionais de Campinas e de outros dez municípios: Jarinu, São Paulo, Jundiaí, Mogi Guaçu, Valinhos, Vinhedo, Paulínia, Hortolândia, Sumaré e Nova Odessa.
A atividade contou com a participação da professora Jussara Santos, autora do livro “A Democratização do Colo”, que abordou a importância das relações étnico-raciais na primeira infância. A discussão destacou o papel do acolhimento, do afeto, do pertencimento e da valorização das diferenças nas práticas cotidianas dos espaços de educação e cuidado. Durante o encontro, os participantes também receberam exemplares do livro, ampliando o acesso às reflexões apresentadas na atividade.
A abertura do evento foi realizada pela Comunidade Jongo Dito Ribeiro, grupo com mais de 20 anos de atuação que mantém viva a tradição ancestral do jongo em Campinas. Por meio de rodas com toque, canto e dança, a comunidade compartilha e preserva essa manifestação cultural, construída a partir da memória de Benedito Ribeiro.
O diretor de politícas públicas para a primeira infância e coordenador do PIC que organizou o evento com o Diálogos da Primeira Infância com apoio da FEAC e CMDCA, Thiago Ferrari, ressaltou a importância do compromisso coletivo na construção de práticas e instituições antirracistas.
“O racismo não é um problema apenas de quem sofre seus efeitos. É uma estrutura que precisa ser reconhecida e enfrentada por toda a sociedade. Isso exige que pessoas brancas reconheçam seus privilégios, revejam práticas, questionem desigualdades e assumam uma postura ativa diante das situações de discriminação. Não basta não ser racista, é necessário assumir o compromisso de construir relações e instituições antirracistas”, destacou.
Também participaram da programação Marcela Reis, presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Campinas; Patrícia Torres, idealizadora do projeto Diálogos da Primeira Infância; Elisângela Nunes, gestora do Centro de Referência em Direitos Humanos para Prevenção e Combate ao Racismo e à Discriminação Religiosa da Prefeitura; Dandewara Pereira, gestora de bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e vice-presidente do Conselho Municipal da Comunidade Negra; e Maria Fernanda Luiz, gestora do Programa Memória e Identidade: Promoção da Igualdade na Diversidade (MIPID).
Durante o encontro, Joyce Teixeira, mãe da Íris, integrante do PIC, e co-idealizadora do evento destacou que o enfrentamento ao racismo precisa envolver toda a sociedade.
“Essa construção não pode ser responsabilidade exclusiva da população negra. É fundamental que tenhamos protagonismo, representatividade e voz nessa agenda, mas precisamos também convocar a branquitude a assumir seu papel”, afirmou.
O encontro foi realizado pelo projeto Diálogos da Primeira Infância, pelo Plano Primeira Infância Campineira (PIC), pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) e pela Fundação FEAC, com organização da VersaLab e apoio da Secretaria Municipal de Educação.

