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As instituições de longa permanência para idosos (ILPIs), residências coletivas que acolhem pessoas com 60 anos ou mais, vão receber um alerta específico sempre que a Defesa Civil de Campinas prever calor intenso na região onde ficam. O novo fluxo foi apresentado nesta quarta-feira, 28 de outubro, em reunião da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social com a Defesa Civil, a Secretaria Municipal de Saúde e representantes das instituições.
A Defesa Civil emite boletins de alta temperatura em quatro níveis: observação, a partir de 30°C; atenção, a partir de 32°C; alerta, a partir de 35°C; e alerta máximo, acima de 37°C. Segundo Sueli Castiglieri, da Defesa Civil, a cidade tem hoje 35 estações meteorológicas, duas ou três em cada região, que medem temperatura e umidade do ar em tempo real. O alerta seguirá a estação mais próxima de cada instituição, num raio de cerca de dois quilômetros. Por isso, nem todas receberão o mesmo aviso ao mesmo tempo.
O modelo reproduz o que a Secretaria de Educação já faz com as escolas, que suspendem atividades ao ar livre quando há previsão de calor forte. Na Assistência Social, o aviso chegará pela assistente social Edna de Carvalho de Lara, técnica de referência do Serviço de Proteção em Situações de Calamidades Públicas e de Emergências, que representa a secretaria no comitê da Operação Chuvas de Verão. A partir dela, a área de Proteção Social Especial, responsável pelo acolhimento de pessoas idosas, avisará as instituições por WhatsApp, com registro por e-mail.
“As condições climáticas atingem a cidade inteira, mas nós temos a responsabilidade de cuidar daqueles que estão em situação de vulnerabilidade”, disse a secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro. Ela afirmou que o fluxo começa pelas instituições que acolhem pessoas idosas e será estendido aos abrigos de crianças e adolescentes, às residências para pessoas com deficiência e ao serviço de atendimento em domicílio.
Por que o calor pesa mais
Priscilla Pegoraro, da área de articulação intersetorial da Secretaria de Saúde, explicou que o organismo da pessoa idosa regula pior a própria temperatura. “A pessoa idosa sente menos sede, e o fato de sentir menos sede vai fazer com que ela desidrate de uma maneira mais rápida”, afirmou. Doenças crônicas e o uso de vários medicamentos ao mesmo tempo aumentam o risco.
O material distribuído às instituições reúne cinco orientações. A primeira é oferecer água e outros líquidos várias vezes ao dia, sem esperar o pedido, com ajuda a quem tem dificuldade para engolir. Em pessoas com restrição de líquidos, sobretudo as que têm doenças do coração ou dos rins, o aumento da hidratação deve ser avaliado caso a caso. A segunda é manter os ambientes ventilados e proteger do sol direto os dormitórios e as salas de convivência.
A terceira orientação é evitar a exposição ao sol das 10h às 16h. O banho de sol continua importante, mas deve ficar para o começo da manhã ou o fim da tarde. A quarta é acompanhar mais de perto quem é frágil, está acamado, tem mobilidade reduzida ou condição crônica, mantendo os remédios como prescritos. A quinta é observar sinais de alerta: fraqueza, tontura, dor de cabeça, cãibras, sonolência, confusão e desmaio.
Nesses casos, a orientação é refrescar o ambiente, hidratar e procurar atendimento se os sinais continuarem. Em emergência, o telefone é o 192, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Cada instituição tem um centro de saúde de referência para tirar dúvidas.
Priscila também orientou sobre pessoas idosas que pedem cobertor mesmo no calor, o que é comum. Nesses casos, a equipe deve medir a temperatura do corpo: acima de 37°C, é preciso retirar parte das cobertas, e acima de 40°C a situação é de emergência.
Equipes também requerem cuidados
Representantes das instituições perguntaram sobre o calor enfrentado por quem trabalha na cozinha, onde as normas sanitárias limitam o uso de ventiladores. Priscila disse que a recomendação atual é organizar um rodízio de pausas de 10 a 15 minutos, a cada 45 ou 50 minutos de trabalho, em local com conforto térmico, e afirmou que vai pedir ao Centro de Referência em Saúde do Trabalhador e à Vigilância Sanitária um material técnico sobre o tema.
