Anúncios
Profissionais de serviços públicos e lideranças locais do Campo Grande, na região Noroeste de Campinas, participaram nesta terça-feira, 20 de outubro, de um workshop sobre como implantar hortas comunitárias. Eles receberam a cartilha “Cultivando Espaços”, produzida para o encontro. O guia traz o passo a passo para começar uma horta em escolas, centros de saúde e outros serviços públicos e lista onde conseguir mudas, insumos e assistência técnica na cidade.
O encontro foi na Horta Piloto “Cultivando no Florence”, no Jardim Florence. O convite foi feito a escolas, centros de educação infantil, centros de saúde, Centros de Referência de Assistência Social (Cras), que atendem as famílias nos bairros, e organizações sociais da região que já tinham manifestado interesse em começar uma horta.
Na parte prática, a equipe da Pé de Feijão, organização de agricultura urbana que conduziu a formação, planejou com o grupo três canteiros consorciados, com espécies diferentes plantadas lado a lado para aproveitar melhor o espaço: berinjela, açafrão e alface no primeiro; alface e coentro no segundo; chicória e salsinha no terceiro. Em seguida, com mudas de alface dispostas no chão, demonstrou o espaçamento que deve ser seguido entre as plantas.
O workshop foi promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Assistência Social, por meio do Departamento de Segurança Alimentar e Nutricional, área que trabalha para garantir à população acesso regular a comida suficiente e de qualidade. A parceria é com a construtora MRV Engenharia, por meio do Vizinho do Bem, programa de relacionamento da empresa. A MRV contratou a Pé de Feijão, que produziu a cartilha e conduziu a oficina. A Prefeitura cedeu a horta, cuidada pela Associação Horta Flor de Girassol, e mobilizou os serviços e as lideranças da região.
“Uma horta comunitária produz comida perto de quem precisa e pode funcionar na escola, no posto de saúde, no Cras ou num terreno do bairro”, afirmou Vandecleya Moro, secretária de Desenvolvimento e Assistência Social.
A horta do Jardim Florence é a experiência piloto do Programa Campinas Solidária e Sustentável, criado por lei municipal em 2021 para incentivar a agricultura urbana, o cultivo de alimentos dentro da cidade e nas áreas de transição para a zona rural.
O que a cartilha orienta
O primeiro passo é envolver a vizinhança desde o início. A orientação é mapear centros de saúde, Cras, escolas, igrejas, associações e hortas que já existem no entorno, conversar com essas pessoas e marcar uma reunião aberta para apresentar o projeto e ouvir sugestões. Para divulgar as atividades por WhatsApp, o guia sugere enviar a imagem do convite, um texto curto e um áudio com as mesmas informações, para alcançar quem tem dificuldade de leitura.
Para a horta durar, o material recomenda ter uma pessoa de referência, encontros em dia e horário fixos, de preferência semanais e pela manhã, quando o sol é mais ameno, e um calendário definindo quem cuida da rega em cada dia. Um caderno com o que foi plantado, colhido e usado como adubo evita que o conhecimento fique concentrado em uma só pessoa.
Na escolha do local, a horta precisa de quatro a seis horas de sol direto por dia, no mínimo, e de um ponto de água por perto. Quando há risco de contaminação do solo, como em terrenos a até 500 metros de posto de gasolina ou perto de oficina mecânica, depósito irregular de lixo ou esgoto, a orientação é plantar em caixotes, vasos grandes ou canteiros elevados, com terra de procedência confiável.
Os canteiros feitos diretamente no chão não devem passar de 80 centímetros de largura, o que facilita o manejo, e os caminhos entre eles precisam de pelo menos 50 centímetros. Se a horta receber pessoas com mobilidade reduzida ou que usam cadeira de rodas, os caminhos devem ter no mínimo 90 centímetros, como prevê a norma técnica brasileira de acessibilidade, e 1,2 metro nas curvas. A dica geral é começar pequeno e ampliar conforme o grupo se forma.
O guia segue os princípios da agroecologia, cultivo sem agrotóxicos nem adubos químicos que cuida do solo e da diversidade de plantas, e indica materiais gratuitos para aprofundar o tema, como as fichas agroecológicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Antes de buscar recursos fora, sugere olhar o entorno: folhas varridas, capim e restos de poda servem para a compostagem e a cobertura do solo, e vizinhos que criam galinhas podem ser parceiros para conseguir esterco.
Onde pedir apoio
Pessoas e organizações de qualquer região da cidade que cultivam ou querem começar uma horta podem se cadastrar no Programa Campinas Solidária e Sustentável para pedir orientação técnica, capacitação, mudas, insumos, ferramentas e ajuda para regularizar a área, de acordo com a disponibilidade do programa. O contato é pelo telefone (19) 3746-2483, pelo WhatsApp (19) 98437-4018 ou pelo e-mail campinas.solidariasustentavel@campinas.sp.gov.br.
A cartilha lista outros serviços de apoio, com a ressalva de que a oferta varia e deve ser confirmada antes. A Usina Verde de Compostagem, na Avenida Cônego Antônio Roccato, 2430, perto do Cemitério dos Amarais, transforma resíduos orgânicos em composto para uso agrícola e em áreas verdes. Abaixo de seis sacos, o composto é retirado direto na portaria, e é preciso levar os sacos e enchê-los na hora; acima de seis, o pedido é feito por e-mail. O telefone é (19) 3733-7419.
Na rede estadual, o guia aponta a Diretoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo que dá assistência técnica a agricultores, inclusive em hortas comunitárias urbanas, e mantém em Campinas o Centro de Educação Ambiental Fazendinha Feliz, que recebe visitas de grupos e escolas. O Instituto Agronômico (IAC), da mesma secretaria, oferece cursos e sementes.
