O aumento das chuvas em Campinas tem contribuído para o crescimento do número de buracos nas ruas da cidade. Entre janeiro e setembro de 2026, o município registrou 804 milímetros de chuva, volume 29,8% maior que os 619 milímetros registrados no mesmo período de 2025. A água penetra nas fissuras e trincas do asfalto, compromete as camadas do pavimento e acelera sua deterioração.
Somente em setembro deste ano, foram aproximadamente 322 milímetros de chuva, conforme dados do Cepagri da Unicamp. O volume ficou 419% acima da média histórica do mês, de 62 milímetros, e foi quase sete vezes maior que o registrado em setembro de 2025, quando choveu 48 milímetros. Nos primeiros 12 dias de outubro, o acumulado chegou a 139,2 milímetros, superando os 117 milímetros registrados durante todo o mês de outubro do ano passado.
Como a chuva prejudica o asfalto
Ao entrar no pavimento, a água atinge a base de terra que sustenta a via, e essa parte se desloca, levando os materiais de sustentação. O peso dos veículos sobre o asfalto molhado ou sobre poças também gera pressão hidráulica, forçando o rompimento e o deslocamento da massa asfáltica, além do desgaste normal gerado pelo atrito dos pneus.
Sidnei Furtado, coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, pontua que as condições climáticas registradas nos últimos meses são extremas. “Estamos passando por um período atípico relacionado ao clima. Tivemos uma alta nos índices de chuva na nossa cidade. Está sendo um período muito chuvoso. Praticamente não tivemos estiagem rigorosa este ano”, pontua.
Chuva também prejudica manutenção
A chuva também prejudica os trabalhos de manutenção no asfalto. Para ser realizado com mais eficácia, o serviço de tapa-buracos necessita do pavimento seco.
A presença de água ou umidade excessiva impede a aderência do ligante asfáltico ao solo, compromete a compactação e acelera o resfriamento da massa quente, gerando falhas estruturais no asfalto. Se a base não for bem executada e sofrer movimentação, o pavimento pode se movimentar.
O secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, explica que, em média, são tapados 13 mil buracos por mês. Entretanto, com as chuvas recentes, esse número tende a dobrar. “Para acelerar os trabalhos, além da massa asfáltica quente, a Prefeitura está utilizando cerca de 3 mil sacos de massa fria para tapar pequenos buracos.”
Um dos critérios para o atendimento das demandas diz respeito à localização dos danos. Vias de grande circulação, corredores de ônibus ou áreas próximas a estabelecimentos de educação e saúde são priorizadas. No total, a cidade conta com 12 equipes de tapa-buracos que trabalham em operação contínua por todo o município.
