Oficina gratuita de audiovisual reúne estudantes indígenas em Campinas

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O projeto CANOA realiza, em outubro, uma oficina gratuita de audiovisual voltada prioritariamente a estudantes indígenas, combinando atividades presenciais na Moradia Estudantil da Unicamp e atividades práticas realizadas de forma remota. Com carga horária total de 20 horas, a formação integra as ações de contrapartida do projeto contemplado pelo Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC) 2024.
 
A oficina será conduzida pelos documentaristas Juliana Sangion e Caue Nunes, diretores do curta-metragem CANOA e professores do curso de Cinema da PUC-Campinas. A proposta é compartilhar ferramentas e conhecimentos sobre a realização audiovisual, passando por diferentes etapas da construção de uma obra e estimulando os participantes a experimentarem o cinema como linguagem de expressão, criação e construção de narrativas próprias.
 
A escolha dos estudantes indígenas como público prioritário está diretamente relacionada à história do próprio filme.
 
Sobre o curta-metragem CANOA
 
CANOA é um documentário de curta-metragem que parte de uma pergunta sobre memória, colonização e presença indígena na cidade de Campinas.
 
O filme acompanha estudantes indígenas da Unicamp em um encontro com um dos símbolos turísticos da cidade: a réplica da caravela utilizada por Pedro Álvares Cabral, instalada no Parque Portugal, conhecido como Lagoa do Taquaral. Desde 2019, com a realização do Vestibular Indígena da Unicamp, Campinas passou a receber estudantes de diferentes povos e territórios do país, ampliando a presença e as perspectivas indígenas dentro da universidade e da própria cidade.
 
Em uma Campinas marcada por referências históricas à colonização europeia, o documentário propõe uma inversão simbólica: o que acontece quando uma caravela é observada e ressignificada a partir do olhar de povos originários?
 
Para construir essa experiência, o curta-metragem propõe uma intervenção audiovisual na réplica da embarcação. Imagens relacionadas às culturas e aos universos simbólicos dos povos indígenas são projetadas sobre a caravela, sem qualquer alteração física no monumento, enquanto os participantes interagem com as projeções. O filme registra esse encontro e transforma a intervenção em seu próprio dispositivo narrativo.
 
É justamente desse gesto que nasce o título: a caravela, símbolo da chegada dos colonizadores europeus, transforma-se simbolicamente em canoa quando atravessada por outras memórias, imagens e perspectivas.
 
Com abordagem ligada ao documentário performático, o curta busca abrir espaço para novas leituras sobre a história e sobre os símbolos presentes no espaço urbano, colocando em diálogo memória, território, cinema e as experiências contemporâneas dos estudantes indígenas que hoje vivem e estudam em Campinas.
 
A oficina amplia esse movimento para além do filme. Ao compartilhar ferramentas de criação audiovisual prioritariamente com estudantes indígenas, o projeto busca fazer da contrapartida também um espaço de encontro, experimentação e produção de novas narrativas.
 
A produção do filme e da atividade formativa é da produtora campineira Galápaga Films e Impacto.
 
Serviço
 
Oficina de Audiovisual – Projeto CANOA
 
Público prioritário: estudantes indígenas
Carga horária: 20 horas
Formato: atividades presenciais na Moradia Estudantil da Unicamp + atividades práticas
remotas
Oficineiros: Juliana Sangion e Caue Nunes
Realização: Galápaga Films e Impacto
Projeto contemplado pelo FICC Campinas 2024
Participação gratuita 
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