Três semanas após o início das atividades, o programa Virando o Jogo, criado pela Secretaria de Saúde de Campinas para prevenção e cuidado de pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas online, já disponibilizou 78 vagas para atendimento. No período, foram registrados 40 agendamentos e realizados 19 teleatendimentos.
Apesar da oferta de vagas, a procura ainda é inferior à capacidade do serviço. Além disso, a Saúde Municipal chama a atenção para o elevado índice de absenteísmo: 52,5% dos pacientes agendados não compareceram às consultas. Diante desse cenário, a Pasta reforça a importância de buscar ajuda profissional e manter a continuidade do tratamento.
Segundo a diretora do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital (Deps), Marcelle Benetti, reconhecer a existência do transtorno é o primeiro passo para a recuperação.
“É um programa muito importante, mas ainda existe uma dificuldade para que as pessoas identifiquem que estão enfrentando um problema. No lançamento, observamos uma procura expressiva e, posteriormente, percebemos que muitas vezes são os familiares que buscam ajuda. Por isso, reforçamos a importância de que quem está vivendo essa situação também reconheça a necessidade de cuidado”, destaca.
Ela explica que, apesar da proibição da operação das bets no Brasil pelo Governo Federal, a continuidade do atendimento a pessoas afetadas é fundamental para garantir sua recuperação plena.
Atendimento com sigilo e privacidade
Marcelle explica que o programa assegura confidencialidade das informações e oferece um modelo de assistência que garante mais privacidade ao paciente.
“Muitos pacientes não querem procurar a unidade de saúde do próprio bairro ou expor essa dificuldade no local onde vivem, por receio de serem identificados. Em alguns casos, já existem dívidas e outras questões pessoais que eles preferem manter em sigilo. O teleatendimento oferece um ambiente seguro para que possam falar sobre suas dificuldades e receber orientação profissional”, afirma.
Buscar ajuda antes do agravamento
Outro desafio apontado pela diretora é a procura tardia por atendimento. Muitas pessoas não enxergam o comportamento de apostar como um problema de saúde e acabam buscando ajuda apenas quando a situação já se encontra mais grave.
“Em geral, elas não se consideram doentes nem acreditam que precisam de atendimento. Entretanto, muitas vezes o reconhecimento da necessidade de cuidado acontece somente quando já existe um quadro severo de endividamento ou depressão”, alerta.
Dados citados pela especialista mostram a dimensão do problema: cerca de 25,9% dos brasileiros já realizaram algum tipo de aposta, enquanto 4,4% da população, o equivalente a aproximadamente 8 milhões de pessoas, apresentam risco de desenvolver comportamento problemático relacionado aos jogos.
“É um número preocupante. Entre as principais consequências estão ansiedade, depressão, comportamentos compulsivos, aumento do risco de suicídio e autolesão, além de problemas financeiros e conflitos familiares”, ressalta.
Faltas comprometem o tratamento
A Secretaria de Saúde também demonstra preocupação com o índice de faltas às consultas. Conforme Marcelle, a ausência sem aviso prévio prejudica tanto o paciente quanto a rede de atendimento.
“A desistência compromete o início ou a continuidade do tratamento. Além disso, deixa horários ociosos que poderiam ser utilizados por outras pessoas que aguardam atendimento.”
Como agendar o teleatendimento
O agendamento pode ser feito pela assistente virtual Ana, no WhatsApp (19) 99782-0990. Basta seguir os passos:
• Enviar uma mensagem para o número;
• Digitar 1 para acessar a opção Saúde Digital;
• Selecionar Serviços em Telessaúde;
• Acessar o canal da Saúde Digital SUS Campinas por meio do botão disponibilizado;
• Enviar uma nova mensagem e digitar 2 para escolher Teleatendimento – Programa Virando o Jogo (Bets);
• Informar os dados solicitados pelo chatbot para concluir o agendamento.
A orientação da Secretaria de Saúde é clara: quanto mais cedo a pessoa reconhecer o problema e procurar ajuda, maiores são as chances de evitar o agravamento dos impactos emocionais, financeiros e familiares associados ao vício em apostas.
