Com saldo de oito vidas salvas em 2025 e 14 neste ano, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) apresentou, nesta quinta, 17 de setembro, o perfil das 142 vidas perdidas em 141 sinistros (acidentes) fatais no ano passado. Como parte da Semana da Mobilidade Urbana (Semob) 2026, o evento lançou dados fechados do Relatório Anual de Sinistralidade no Trânsito, no Salão Nobre da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, com a presença do prefeito Dário Saddi. O evento reuniu cerca de 50 pessoas.
Trânsito em Campinas na última década
Foram 1.388 mortos no trânsito em Campinas nos últimos 10 anos. O ano de 2025 marca uma reversão na curva de alta nos óbitos no trânsito. Entre 2020 e 2024, houve altas sucessivas ou manutenção dos números. Em 2025, as mortes em vias urbanas e rodovias caíram 5,3%: foram oito vidas salvas.
Em 2025
Setenta e quatro (52,1%) pessoas perderam a vida em vias urbanas e 68 (47,9%) em rodovias: 72 motociclistas ou garupas (50,7%), 45 pedestres (31,7%), 20 ocupantes de outros veículos (14,1%) e cinco ciclistas (3,5%). A taxa de mortes a cada 100 mil habitantes caiu 5,5% (11,95).
O ‘anuário’ é apresentado sempre no ano seguinte, após meses de análises detalhadas, e consolida os dados de óbitos no trânsito em 2025. A Emdec já trabalha nos dados preliminares de 2026, com queda em todos os índices pelo sétimo mês consecutivo. Nas vias urbanas, foram 14 vidas salvas e 35% menos mortes.
“É uma política pública desafiadora enfrentar as metas de redução de mortes no trânsito. É preciso enfrentar posicionamentos contrários ao controle de velocidade, combate ao álcool e direção. Demanda coragem chegar ao objetivo de proteger vidas, principalmente em uma cidade que tem quase um carro por habitante. Enquanto tivermos uma morte no trânsito, não podemos comemorar. Toda as mortes são evitáveis”, enfatizou o prefeito Dário Saadi.
“Campinas vem se destacando no cenário nacional com as políticas adotadas para a redução da mortalidade no trânsito. Com esforços integrados para fortalecer a fiscalização, a inteligência e os dados para planejar ações em pontos críticos, temos conseguido salvar vidas”, destacou o presidente da Emdec, Vinicius Riverete.
Mapeamento de dados é essencial para a área da saúde
A coordenadora Juliana Natívio, que representou a Secretaria de Saúde e o Departamento de Vigilância em Saúde, enfatizou que “esse trabalho intersetorial de mapeamento de dados é de extrema importância e precisa ser fortalecido. Cada parceiro, na sua especialidade, contribui para fortalecer o objetivo único, que é tornar a cidade mais segura e salvar vidas”.
Anfitrião do evento e médico de Cirurgia do Trauma da Unicamp, Thiago Calderan, destacou que “os pacientes vítimas de traumas passam por longos períodos de internação. Os dados monitorados ajudam a capacitar as equipes para esse atendimento, portanto, são relevantes não só para as questões de saúde pública, mas também para o meio acadêmico”.
Parceira da Emdec na elaboração do documento, a Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global foi representada pela coordenadora de Dados e Vigilância, Mariana Novaski. “Precisamos olhar a questão da segurança viária como um grave problema de saúde pública. Nossa atuação junto ao município é no sentido de endereçar as medidas mitigadoras que reduzem as mortes e lesões no trânsito. Temos orgulho de caminhar com Campinas, com dados e evidências que embasam as atuais políticas públicas”, destacou.
O evento contou ainda com a participação do secretário de Mobilidade Urbana da Prefeitura de Monte Mor, Rômulo Scopel Barcelino; e da chefe do setor de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis na Devisa, Ana Paula Crivelaro Ferreira, que integra o Programa Vida no Trânsito.
Motociclistas, homens e jovens até 29 anos morreram mais no trânsito
Motociclistas, na direção ou nas garupas, e pedestres lideram os óbitos, com índices alarmantes: uma morte a cada cinco dias no primeiro grupo e uma a cada oito dias entre os pedestres. Entre os ocupantes de outros veículos e ciclistas, houve queda. Foram 11 mortes a menos no primeiro grupo e três a menos no segundo.
Homens e jovens entre 18 e 29 anos foram os que mais morreram no trânsito. Os dados foram apresentados pelo coordenador da área de Gestão da Base de Dados da Emdec, Marcelo de Araújo Antônio.
Confira outros destaques
120 mortes (84,5%) entre os homens e 22 (15,5%) entre as mulheres.
41 óbitos (28,9%) na faixa etária entre 18 e 29 anos – 35 homens e seis mulheres.
Entre os jovens de 18 a 29 anos, 26 (63,4%) eram motociclistas ou garupas.
Entre os jovens (18 a 29 anos), 32 vítimas (78%) eram motociclistas/garupas.
Entre os idosos (60 anos ou mais), 12 vítimas (66,7%) eram pedestres.
41 óbitos (29,1%) dos óbitos ocorreram nas noites e madrugadas (entre 18h e 5h59), aos finais de semana.
Entre os 74 sinistros fatais em vias urbanas, 29 (39,2%) foram colisões; 23 (31,1%) atropelamentos de pedestres; 14 (18,9%) choques contra obstáculos fixos.
Velocidade e álcool foram as principais causas de morte
Entre os 139 sinistros de trânsito analisados, os fatores de risco velocidade e álcool apareceram, respectivamente, em 53 (38,1%) e 48 (34,5%) casos. Em 19 (13,7%) sinistros, os dois fatores estavam presentes. Apenas entre as vítimas fatais testadas, estavam alcoolizados 42,7% dos condutores ou pedestres que morreram em decorrência de acidentes de trânsito em vias urbanas e rodovias.
Completam o ranking dos cinco fatores que mais mataram no trânsito
Comportamento do pedestre – 33 casos fatais
Uso de drogas ou medicamentos – 18 casos
Falta de habilitação – 17 casos
Também se destaca, em sexto lugar, o fator desrespeito à sinalização de trânsito, com 12 casos fatais.
Atenção nas avenidas
Quatro avenidas de Campinas concentraram 17% dos óbitos em vias urbanas entre 2023 e 2025, John Boyd Dunlop, Comendador Aladino Selmi, Ruy Rodriguez e Prestes Maia.
Apesar de ainda liderar os óbitos, com 8% do total nos últimos três anos, a JBD está cada vez mais segura: nove vidas foram salvas na avenida em cinco anos. Foram 69% menos mortes entre 2021 e 2025 e 43% menos em 2025.
Semana da Mobilidade Urbana (Semob) 2026
Entre os dias 18 e 25 de setembro, a mobilização para salvar vidas no trânsito será intensificada com as ações da Semana da Mobilidade Urbana (Semob), que promovem a construção coletiva para uma mobilidade urbana mais segura e acessível para todos.
A programação foi apresentada pela gerente de Educação para Cidadania, Marinagela Marini. Confira os destaques:
18/09 – 9h | Blitze educativa para motociclistas, na Lix da Cunha, próximo à Estação Anhanguera.
19/09 – 10h | Ação para motociclistas – parceria Isanos Motoclube, no Centro de Convivência.
20/09 – 9h | Passeio Ciclístico Solidário 10k, dentro do Campinas Bike Day, no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim.
Criada pela Lei Municipal nº 11.387/2002, a Semana Municipal do Trânsito (Semutran) foi substituída pela Semana da Mobilidade Urbana (Semob), a partir da Lei Municipal nº 16.336/2022. Promove ações de educação para a mobilidade, alinhadas à Semana Nacional do Trânsito, prevista no artigo 326 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
A programação completa está disponível no hotsite: http://www.emdec.com.br/semob2026.
As Operações pela Vida, que somaram mais de 15 mil testes com bafômetros e mais de 450 autuações em 2026, foram apresentadas pelo gerente de Fiscalização e Operação de Trânsito, Fabio Da Matta.
Organização e apoio
A realização da Semob conta com o apoio das secretarias municipais de Transportes (Setransp) e Saúde; e envolve o Comitê Intersetorial Programa Vida no Trânsito, o Observatório Municipal de Trânsito (OMT), a Iniciativa Bloomberg para Segurança Viária Global (BIGRS), a Vital Strategies, o WRI Brasil e a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, além de diversos outros órgãos municipais, concessionárias de rodovias e universidades.
Também participaram do evento a chefe de Gabinete, Giselle Normanha Biagi de Godoi; o diretor da Setransp e conselheiro, João Beato; e os diretores da Emdec Thais Costa, de Projetos Estratégicos e Cidade Inteligente; Dayani Marloch Santanna, de Administrativo e Financeiro; Pedro Beraldo, de Planejamento e Projetos; e Luiz Carlos Sardinha, de Operações, além de gestores e técnicos da empresa e estudantes da Unicamp.
