Três anos de dados revelam a virada silenciosa do Cadastro Único em Campinas

Em Campinas, o Cadastro Único indica mudança no perfil do público atendido. Desde meados de 2023, os níveis de renda sinalizam melhora nas condições de vida. A faixa de até um salário mínimo diminuiu. Os estratos intermediários cresceram de modo significativo. Esse movimento é resultado do aumento de renda na população em vulnerabilidade e do ciclo contínuo de atualização cadastral, que melhora a qualidade das informações e organiza o acesso à proteção social no município.

Os dados por faixa de renda mostram uma mudança a partir de 2023. Até então, o número de famílias com renda de até um salário mínimo variava entre 160 mil e 245 mil, com pico em março de 2023. A partir de junho daquele ano, esse número começou a cair e passou a se manter entre 185 mil e 204 mil famílias até 2025.

Ao mesmo tempo, aumentou o número de famílias nas faixas de um a dois e de dois a três salários mínimos, que permaneceram em níveis mais altos em 2024 e 2025. A faixa acima de três salários mínimos também cresceu e chegou a 32.942 famílias em dezembro de 2025, o maior valor da série. Em 2024, houve apenas uma pequena queda no início do ano na faixa de até um salário mínimo, seguida de estabilidade. 

Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, a faixa até um salário mínimo caiu de 239.071 para 186.170 famílias. A variação foi negativa em 22,13%, referente a 52.901 famílias . No mesmo período, a faixa de um a dois salários subiu de 47.470 para 69.125 famílias. A alta foi de 45,62%, isto é, mais 21.655 famílias. A faixa de dois a três salários cresceu de 11.308 para 29.120 famílias. A alta foi de 157,52%, mais 17.812 famílias. A renda acima de três salários avançou de 7.110 para 32.942 famílias. A alta foi de 363,32%, mais 25.832 famílias.

 

Com entrevistas bem conduzidas, conferência documental e revisão periódica, a Prefeitura reduz inconsistências. A Prefeitura orienta famílias sobre prazos e documentos. A Prefeitura fortalece a porta de entrada da proteção social. Uma base socioassistencial mais consistente melhora a focalização de benefícios. Essa base também aumenta a regularidade de acesso a serviços.

 

O serviço municipal combina triagem e manutenção. Na triagem, as equipes identificam o perfil e orientam a documentação. Na manutenção, as equipes revisam a renda per capita e a composição familiar. As equipes corrigem inconsistências e agendam atualizações dentro do prazo. Esse processo reduz bloqueios e suspensões por desatualização. No território, mutirões, avisos de vencimento e busca ativa apoiam quem enfrenta barreiras de acesso. A população em situação de rua recebe abordagem social contínua. As equipes fazem encaminhamentos para documentação civil e atualização cadastral. O Centro Pop e a rede intersetorial concentram esse atendimento. Nos serviços de acolhimento, o fluxo é semelhante. As equipes incluem ou atualizam o Cadastro Único e acionam benefícios quando cabível. Esse fluxo reduz a instabilidade imediata e previne perdas de acesso por cadastro desatualizado.

Em dezembro de 2025, o Serviço de Abordagem Social de Pessoas em Situação de Rua realizou 992 abordagens em vias e praças. No mesmo mês, o serviço fez 230 atendimentos presenciais na sede. A maior demanda ocorreu na região central. O Cadastro Único funciona como ponto de chegada e, em muitos casos, como ponto de recomeço. A atuação inclui inscrição e atualização. A atuação inclui apoio à regularização documental e articulação na rede intersetorial. O objetivo é sustentar o acesso a serviços e benefícios que dependem de regularidade documental e cadastral.

Para a gestão, a redução relativa da faixa de até um salário mínimo e o crescimento dos estratos de um a três salários indicam mudança no perfil de renda per capita declarada. O resultado dialoga com frentes de ativação econômica do município, como o PAES. O resultado aumenta a credibilidade das informações para direcionar isenções, tarifas sociais e serviços. Com entrevistas qualificadas, conferência documental e atualização em dia, o município amplia a regularidade de acesso. O município melhora a capacidade de planejar e executar políticas públicas com base em informações consistentes.

Em 2026, o público prioritário do Cadastro Único permanece definido como famílias com renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo, equivalente a R$ 810,50 por pessoa. Famílias acima desse valor também podem ser incluídas. A inclusão ocorre quando a inscrição estiver vinculada à seleção, concessão ou acompanhamento de programas que utilizam o Cadastro Único. As regras variam conforme o programa. No Bolsa Família, por exemplo, a regra principal de entrada é renda de até R$ 218 por pessoa ao mês, além das demais exigências do programa.

A secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Vandecleya Moro, resume o foco do trabalho: “organizar a rede socioassistencial e reduzir barreiras de acesso, para que a política pública chegue a quem está em situação de vulnerabilidade”. Segundo a secretária, o impacto é concreto no cotidiano das famílias. As famílias ganham previsibilidade para despesas essenciais. O município garante acolhimento, orientação e cadastro atualizado. O município prioriza quem está em maior vulnerabilidade.

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